Atuante por anos na SIGNIS Jovem, o recém-ordenado padre João Pedro Rodrigues testemunha como a comunicação, a escuta e a cultura de paz foram decisivas em seu discernimento vocacional e agora orientam seu ministério presbiteral na Diocese de Uberlândia
Ronnaldh Oliveira, da redação
A comunicação como espaço de escuta, encontro e construção da paz marcou profundamente a trajetória vocacional de João Pedro Rodrigues, que, após anos de atuação na SIGNIS Jovem, foi ordenado padre no último sábado (28). Hoje, como sacerdote recém-ordenado e assessor eclesiástico para a comunicação social da Diocese de Uberlândia, ele reconhece que sua vocação nasceu e amadureceu nos bastidores da missão comunicacional.
Segundo o padre João Pedro, sua aproximação com a comunicação não se deu apenas pelo interesse técnico em câmeras, redes sociais ou tecnologias digitais, mas sobretudo pela possibilidade de encontrar pessoas reais e histórias concretas marcadas pela busca de sentido e esperança. “Foi na convivência com jovens comunicadores do Brasil inteiro que percebi que evangelizar não é repetir fórmulas, mas deixar-se tocar pela realidade e escutar o que Deus sussurra através da vida concreta das pessoas”, afirmou.
A experiência na SIGNIS Jovem, segundo ele, foi um verdadeiro laboratório de escuta e discernimento. Gravar, editar, entrevistar e conviver tornaram-se caminhos espirituais. “A missão é escutar. E foi escutando que minha vocação foi sendo moldada. Deus falou comigo nos bastidores, nos encontros, nas histórias partilhadas”, recorda.

Comunicação como ato de paz e resistência
Para o sacerdote, a comunicação nunca é neutra. Inspirado pela cultura de paz promovida pela SIGNIS, ele afirma que comunicar é sempre uma escolha ética e espiritual. “Ou construímos pontes ou erguemos muros. Em tempos de polarização, cancelar, radicalizar e atacar é fácil. Comunicar com escuta, presença e diálogo é um ato de resistência”, destacou.
Essa compreensão acompanha seu ministério presbiteral nascente. “Evangelizar é trazer paz. Ser Igreja é ser espaço de reconciliação. Quero ser um pastor com voz, sim, mas antes de tudo com ouvidos atentos e coração desarmado para ouvir o povo”, afirmou.
Um ministério que nasce da escuta
Ordenado no dia 28 de junho de 2025, o padre João Pedro traz para o altar a mesma lógica que aprendeu na comunicação: escutar antes de falar, conectar-se antes de ensinar, caminhar junto antes de orientar. Na Diocese de Uberlândia, ele sonha com uma comunicação que una comunidades, valorize histórias simples e leve esperança aos lugares mais esquecidos.
“A comunicação não é só instrumento, é presença pastoral. Se o Evangelho é boa notícia, o comunicador precisa ser o primeiro missionário da esperança”, afirmou. Para ele, a comunicação pode e deve ser um verdadeiro “altar” onde a vida do povo é apresentada e iluminada pela fé.
Uma palavra aos jovens comunicadores
Ao dirigir-se aos jovens que hoje atuam na comunicação, especialmente aqueles que vivem o discernimento vocacional, o padre João Pedro deixa uma mensagem direta: não desprezar os pequenos sinais. “Foi numa live simples, numa reunião de pauta, num podcast entre amigos que percebi Deus falando comigo”, contou.
Inspirado em São João Paulo II, ele reforça: “Não tenham medo. A vocação nasce da escuta, e a escuta exige silêncio e atenção. Se o coração arde quando você comunica, quando uma imagem ou uma palavra toca alguém, isso pode ser um sinal de Deus”.
Convicto de que “Deus é o maior comunicador da história”, o sacerdote encoraja os jovens a não separarem fé e criatividade. “Uma foto simples, um vídeo, um texto já resgataram muitos jovens para a vida e para a Igreja. Sejam comunicadores de paz, comunicadores de esperança. O mundo precisa dessa centelha.”

