Aprovado em março de 2014, o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil (Documento 99 da CNBB) define a Pastoral da Comunicação (Pascom) como eixo transversal de todas as pastorais da Igreja. Em sua missão, deve irradiar ações próprias do campo da comunicação com sentido pastoral, as quais ganham sentido na medida em que colaboram com a ação evangelizadora eclesial.

E é neste campo que atuam milhares de agentes e profissionais da comunicação em todo o Brasil. Mas, o Documento da CNBB esclarece que, o trabalho da Pascom não deve ser reduzido aos meios de comunicação, “pois ela é um elemento articulador da vida e das relações comunitárias”. A Pascom favorece o cultivo do ser humano enquanto pessoa que comunica valores, vivenciados a partir da Palavra.

O bispo auxiliar de São Paulo (SP), dom Devair Araújo da Fonseca, que é membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, analisa que a realidade brasileira é “bastante complexa e diversificada”, condição que se reflete na atuação da Pastoral da Comunicação nos diferentes contextos.

“Há lugares em que a Pascom é a primeira responsável pelos serviços de comunicação da diocese e atua na coordenação direta de tudo que diz respeito à área. Em outras dioceses, há uma clara separação entre o atuar dos agentes da pastoral da comunicação, que realizam um trabalho de rede nas comunidades e paróquias, e o atuar dos profissionais contratados, que se responsabilizam pelos meios de comunicação diocesanos, a assessoria de imprensa etc.”, enumera.

São seis frentes de trabalho para a atuação da Pascom, de acordo com o Diretório:
1. Colocar-se a serviço de todas as pastorais para dinamizar suas ações comunicativas;
2. Promover o diálogo e a comunhão das diversas pastorais;
3. Capacitar os agentes de todas as pastorais na área da comunicação, especialmente a catequese e a liturgia;
4. Favorecer o diálogo entre a Igreja e os meios de comunicação, para dar maior visibilidade à sua ação evangelizadora;
5. Envolver os profissionais e pesquisadores da comunicação as reflexões da Igreja, para colaborar no aprofundamento e atualização dos processos comunicativos;
6. Desenvolver as áreas da comunicação, como a imprensa, a publicidade e as relações públicas nos locais onde não existem profissionais especificamente designados;

Tais ações da Pastoral, ensina o Documento 99, devem estar dentro de uma política global que gere comunhão e interatividade, alicerçada em quatro eixos: formação, articulação, produção e espiritualidade. “Sustentada por esses eixos, deve incentivar a reflexão e estimular ações com sentido comunicativo, que conduzam à comunhão e à ação evangelizadora”, lê-se no texto.

Para dom Devair, o Diretório contribuiu especialmente para deixar claras as especificidades de cada um dos âmbitos de atuação entre o trabalho pastoral e o trabalho profissional. “Percebemos que isso de fato ajudou as dioceses a encaminharem melhor os setores de comunicação”, comenta.

Apesar da clareza nas indicações do Diretório de Comunicação, na prática, há certa confusão em relação à aplicação da questão do voluntariado ou da profissionalização do trabalho de comunicação no âmbito eclesial no Brasil.

SIGNIS Brasil com informações da CNBB