Integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão em greve de fome há mais de há mais de sete dias em protesto contra a reforma da Previdência que tramita na Câmara dos Deputados. Os três grevistas, que representam mais de 300 mil famílias camponesas de todo o país, fizeram a última refeição no dia 5 de dezembro (5) às 7h30 e, desde então, estão tomando apenas água e soro.

Além de Josi, Leila e Frei Sérgio Görgen do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Fábio Tinga, do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), somam-se à greve Simoneide de Jesus, do MPA, Rosangela Piovizani e Rosa Jobi, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), somando-se sete militantes.

Em nota sobre a manifestação, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) ressalta que "as recentes notícias da proposição do relator da Reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), de retirar os trabalhadores rurais da proposta encaminhada para votação é mentira" e que a resistência contra a reforma "foi fortalecida" mesmo depois da informação de que a votação seria adiada.

"A greve de fome significa que alguns passarão fome por alguns dias para evitar que muitos passem fome uma vida inteira", afirma Frei Sérgio Görgen, do MPA, que completa o 7º dia em greve de fome.

Reforçando a resistência e as ações contra a Reforma da Previdência, as organizações que compõe a Frente Brasil Popular estão chamando diversas ações a partir de hoje, 11 de dezembro, em todo País.

"Convocamos todas as organizações do campo e da cidade para resistirem a Reforma, também para somarem forças nas ações em todos os Estados, para que possamos barrar a Reforma da Previdência. É hora de tomarmos medidas de sacrifício, mas que serão necessárias para garantir os nossos direitos e em especial para nossas gerações futuras, temos que dar mais um passo para esmagar a Reforma da Previdência em seu ninho golpista", afirma Maria Kazé, da coordenação nacional do MPA.

Instalados no Anexo 2 da Câmara e sendo acompanhados por uma equipe de apoio com médico e assessores. O grupo solicitou uma audiência com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para pedir a retirada da reforma da Previdência da pauta do Congresso.

 “A medida que estamos tomando aqui é uma medida extrema. Greve de fome é uma medida extrema, as pessoas colocam sua própria vida em risco para defender que essa reforma da Previdência não seja votada no Congresso Nacional”, disse Charles Reginaldo, integrante da coordenação nacional do MPA.

Para o movimento, a aposentadoria é um direito garantido há muitas décadas que sustenta muitas famílias tanto na cidade, quanto no campo. “Sabemos que a previdência tem um tecido social, como uma das maiores políticas públicas de transferência de renda para a população mais pobre. Em determinados momentos é o único dinheiro que a família tem para pagar suas contas. Nós, como trabalhadores do campo não podemos deixar de fazer luta para que essa reforma não passe”, acrescentou Charles.

Os grevistas afirmam que não acreditam que as regras da aposentadoria rural tenham saído do novo texto apresentado pelo relator da proposta. Eles fazem a ação enquanto as lideranças partidárias se articulam sobre a retomada da tramitação da proposta que altera as regras de acesso à aposentadoria.

Pelo texto que foi aprovado na comissão especial da Câmara, a idade mínima para aposentadoria dos trabalhadores rurais foi alterada de 65 para 60 anos, para homens, e 57 anos para mulheres, com 20 anos de contribuição, em vez de 25, como propôs inicialmente o governo.