Isso mesmo! Comunicação não apenas rima com migração, mas os dois conceitos mantêm laços estreitos de parentesco. Os meios de comunicação fazem a notícia migrar, seja através de palavras e imagens, seja atravésda velocidade das redes sociais que navegam pela Internet. Os migrantes, ao deslocarem-se de cá para lá, levam notícias referentes a seus lugares de nascimento, suas etnias e suas origens.

Da mesma forma que as aves e as sementes migram nas asas do vento –dizia o Bem-aventurado Scalabrini, “pai e apóstolo dos migrantes” – os migrantes costumam seguir de perto os rumos da economia globalizada, atrás de novas oportunidades de trabalho. Se é verdade que toda a pessoa e toda a cultura possuem sementes do Reino de Deus, como afirma a Doutrina Social da Igreja, os migrantes, no ato mesmo de se porem a caminho, são portadores privilegiados de tais sementes.

Sementes que ajudam a fecundar a terra de destino dos grandes deslocamentos humanos, da mesma forma que as informações dos comunicadores fecundam corações, mentes e vidas. Com isso, comunicadores e migrantes, em geral, contribuem para o intercâmbio permanente de costumes e valores. Disso resulta que o confronto e o diálogo entre distintas culturas traz um enriquecimento recíproco de toda a família humana. Povos e nações que evoluíram a partir da mobilidade humana constituem o retrato mais vivo e dinâmico dessa riqueza compartilhada. A chegada em um novo lugar pode ser momento de tensão e hostilidade, sem dúvida, mas pode também evidenciar ricos encontros e reencontros entre distintos povos e nações.

Comunicação e migração, além disso, são dois fatores que encurtam as distâncias entre os grupos humanos mais variados e diferenciados. Colocam-nos em contato diário com “os mil rostos do outro”. Esse contato frequente supera o medo e a ameaça, a estranheza e a intolerância, a discriminação e o preconceito. E mais ainda, trabalha para construir pontes, rompendo com os muros, as cercas e as fronteiras. Nas palavras do Papa Francisco, tal contato ajuda a passar da “globalização da indiferença” para a “cultura do encontro, do diálogo e da solidariedade”.

Conclui-se, assim, que tanto os comunicadores como os migrantes exercem forte protagonismo na trajetória humana sobre a face da terra. Enquanto os primeiros divulgam fatos, eventos e momentos decisivos, os segundos unem os polos de origem aos polos de destino. Uns criam uma rede de notícias que hoje em dia já se tornou simultânea, online; outros costuram uma rede de laços e relações que servem ao intercâmbio de experiências. Ambos, caminhando pelo solo ou navegando pelas ondas do rádio, TV ou Internet, fazem história. Quem se põe em marcha e quem acompanha os viajantes, faz marchar a própria história.


Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – São Paulo, 17 de maio de 2018