Os riscos da disseminação de notícias falsas na internet foram destaque no debate sobre “Fake News e Democracia”, organizado pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, na terça-feira, dia 12, em Brasília.

 

A discussão foi conduzida a fim de esclarecer o cenário de produção de notícias falsas na internet, especialmente com a proximidade de 2018, quando o Brasil terá eleições majoritárias. A principal preocupação está nas notícias divulgadas como se fossem fatos verdadeiros, ou com conteúdos inventados para prejudicar alguém ou uma organização.

 

Para Frederico Meinberg Ceroy, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital, as redes sociais são ‘máquinas de viciar’, e para combater as notícias falsas, o antídoto é a mídia tradicional e a educação da população para que saibam reconhecê-las. “Deve-se criar o sentimento de confiança por meio da construção de um relacionamento sólido com o leitor”, afirma.

 

Segundo o fundador e sócio da Bites, Manuel Fernandes, a produção de fake news não é em vão e seu crescimento nos obriga a conviver com a ‘poluição de informação’. Fernandes afirma que, em 2020, o volume de notícias falsas será muito maior que o de notícias verdadeiras. 


“Eu me tornei um especialista, um caçador de fake news, e posso afirmar: quem a faz tem um propósito, seja ele financeiro ou ideológico, necessita de recursos ou recompensas para ter um resultado, e sempre utiliza internet e redes sociais. Quem produz uma notícia falsa entende bem a dinâmica do Google e usa esse recurso para ser visto. Em meus estudos, o fluxo do site com conteúdos fraudulentos vem, basicamente, de redes sociais”, diz.

 

Para Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, “nos tornamos cidadãos-repórteres”. “Como já afirmou a ministra Carmen Lúcia, saímos da era da invasão de privacidade para entrar na era da evasão de privacidade. Com um celular na mão e uma ideia na cabeça, todos compartilham o que querem, da forma que quiserem. Nesta era da pós-verdade, que é quando as crenças e ideologias superam os fatos, quando há manipulação da opinião pública, temos que combater da forma que podemos”, explicou.

 

O encontro teve a presença do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, do ministro da Justiça, Torquato Jardim, do presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira, e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

 

Veículos de comunicação adotam ações para combater notícias falsas - Desde que o Dicionário Oxford elegeu, em 2016, “pós-verdade”  como a palavra do ano, os debates sobre como combater a proliferação das notícias falsas se intensificaram.


 A desinformação promovida no ambiente digital (redes sociais, WhatsApp, caixa de comentários, blogs e sites) preocupa o jornalismo profissional.  


 O jornalismo profissional brasileiro é considerado um dos mais respeitados do mundo, por sua seriedade e credibilidade. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Reuters, dos 36 países analisados, o Brasil é o segundo que mais confia nas notícias veiculadas pela mídia. Fica atrás apenas da Finlândia. Dos entrevistados brasileiros, 60% acreditam que as notícias informadas pelos veículos de comunicação têm credibilidade.


Em apenas um ano, 31 reportagens da RBS, grupo de comunicação do Rio Grande do Sul,  motivaram a abertura de 29 apurações de órgãos públicos, como Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP) e Ministério Público de Contas.

 

 

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